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Marraquexe

Não foi amor à primeira vista. A cidade seca, quente, desorganizada, suja. O chão partido e o pó. Mas é da ausência de harmonia, e não apesar dela, que nasce o encanto. Marraquexe precisa de olhares atentos, lânguidos e apaixonados. Passar pelas ruas e becos da medina obriga-nos a tirar os olhos do chão e a ver os frisos de azulejos, as pessoas que cruzam os muros e as portas maravilhosas encaixadas em paredes rosa desmaiado que só reforçam a certeza daquele chiché tão batido: Aqui a beleza vem mesmo de dentro. As portas são muitas vezes o único reduto visivel na rua dos tesouros que cada casa encerra.

Na primeira vez que visitei a cidade fiquei num riad (o alojamento tradicional) no meio das ruas perdidas da medina. Um refúgio branco e fresco onde servem a melhor tajine de frango, azeitonas e limão de sempre.

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Riad Al Andaluz é dificil de encontrar mas vale a pena o caminho labirintico. Tem uma óptima localização para percorrer a medina a pé, visitar os souks (mercados) e estar imerso na vida da cidade.  

Marraquexe fica a pouco mais de duas horas saindo do Porto ou de Lisboa e há voos diretos do Porto a partir de 20 euros! (Na RyanAir).

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A entrada das "villas"

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 A Joana na piscina

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 Quando chegávamos à noite a lareira estava acesa e a casa cheia de pequenas velas...

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 Achámos que era um cenário para o James Bond 

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 (As fotografias do hotel são propriedade do hotel)

O espaço é enorme mas o que torna este hotel maravilhoso são os pequenos detalhes. Os azulejos esmeralda feitos à mão e colocados de forma perfeita em todas as fontes e piscinas, as flores frescas em todos os vasos, as pétalas na água e nas mesas, as bancadas de especiarias de aromas perfeitos, a simpatia e a paz a contrastar com a intensidade da vida marroquina. 

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A PRAÇA E OS SOUKS

Nada é tão intenso em Marraquexe como a Praça Jamaa el Fna. O nome pode ter origem numa mesquita almorávida já desaparecida - os almorávidas fundaram Marraquexe por volta do ano de 1070 - ou significar "Assembleia dos Mortos" uma vez que ali se faziam execuções públicas. 

Durante o dia repleta de quiosques que vendem desde sumo de laranja a dentes humanos (just in case), transforma-se à noite num mercado de comida a céu aberto com bancas cheias de especialidades marroquinas para partilhar em mesas compridas. 

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Há motas a cruzar a praça cheia de gente, há encantadores de serpentes, há faquires a caminhar sobre pregos, há comida e vendedores de tudo, há cheiros e fumos que se misturam, há contadores de histórias

 Do céu aberto da praça entramos nos corredores semi-cobertos dos SOUKS. Primeiro as especiarias, os ramos de ervas para infusões, os frascos de limões em conserva, de harissa, de azeitonas com todas as cores. Comprei um bocadinho de tudo para tentar repetir em casa os sabores que levei daqui.

A mala para a carga extra compra-se logo ali ao lado. Malas de pele, serviços de chá, lenços (como as verdadeiras pashminas de caxemira), espelhos, babouches (sapatos marroquinos), candeeiros, milhares de candeeiros. Tudo é cor e brilho nos mercados de Marrquexe. Nos corredores centrais estão os produtos mais turisticos e mais baratos mas que têm, muitas vezes, pouca qualidade. Na minha primeira visita comprei aqui e comprovei isso já em casa :) Há excepções, claro. Como a mochila de pele que há 6 anos me acompanha inteira em todas as viagens. 

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Vale a pena dedicar um dia às compras em Marraquexe porque dificilmente nos sentimos tão ligados à cidade como quando passamos a tarde a beber chá e a conversar com marroquinos à volta de um negócio. Que pode nem ser feito, isso é o menos importante. Na minha última visita pedi ajuda a quem conhece mesmo a cidade e fui a um antiquário que ficava numa das muitas ruas labiritinticas que cruzam os souks. Não saberia lá voltar. Apaixonei-me por um bule de chá e um prato maravilhoso. Tudo feito à mão há muitos anos, tudo muito caro. Negociar em Marrocos é um processo quase solene, que se for sério, faz feliz ambas as partes. Mas pode demorar :) 

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O meu tesourinho marroquino fotografado cá em casa esta manhã

Horas de conversa e muitos copinhos de chá depois apertámos a mão com um sorriso e um valor que achámos justo. Maktub*, disse-me o senhor vendedor, Maktub, respondi.

 

A COMIDA, OH A COMIDA

 

Dar Yacout. O restaurante mais bonito. O sitio é maravilhoso, um oásis no fundo de um beco na Medina. O menu é fixo: entradas, tajine de frango, cabrito, sobremesa (folhas de massa estaladiça com creme).

- 79 Sidi Ahmed Soussi، Marraquexe 40030, Marrocos -

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Fotografias do restaurante porque as minhas só mostram pratos vazios :) 

Alfassia Gueliz. A melhor comida. O cabrito super tenro (a que o senhor tira os ossos todos de uma vez com um garfo e uma colher), as almôndegas cheias de especiarias, a tajine de frango, a sopa de letilhas...

 -55 Boulevard Zerktouni | Guéliz, Marraquexe 40000, Marrocos -

 

Bo-Zin. O mais cosmopolita.

-Route de l' Ourika km 3, 5, Marraquexe 40000, Marrocos -

 

ENTRE OS SOUKS E O JANTAR :) 

 

Marraquexe tem vários jardins frescos e coloridos que cortam o tom rosa pálido da paisagem. Um dos mais bonitos é o Jardin Majorelle. Criado pelo pintor francês Jacques Majorelle, abriu ao público em 1947. Em 1980 foi comprado e recuperado por Yves Saint Laurent e Pierre Bérge. O verde exuberante das plantas e o azul dos edificios domina o espaço. Um azul que já ganhou o nome de Azul Majorelle.

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Os jardins do hotel La Mamounia, onde Winston Churchill ficou alojado (no hotel, não nos jardins em principio) e a Madraça Ben Youssef são as memórias/sugestões que fecham este texto que já vai longo.  

Marraquexe com o seu caos encantado fica já aqui ao lado.

 

 

Maktub* - "Estava escrito"

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