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Publicações de blog de '2018' 'dezembro'

Parentalidade - Uma história de encantar?

Muitas mães choram desalmadamente nos primeiros dias de vida do bebé. E no segundo. E nos outros. Choram principalmente à noite e choram a qualquer hora.

Muitas mães e pais têm medo. Um medo incontrolável que entra no peito como um murro e que demora a sair.

Muitas mães e pais não dormem. Não dormem como quem não dorme mesmo. E demora. Demora muitas vezes até voltar a dormir, demora a chegar o hábito de não dormir.

Muitas relações não superam a chegada de um filho. Não superam o sono, as tarefas, os choros. Muitas das que superam atravessam dias, semanas, meses de mágoa. Vontade e medo de fugir.

Muitas mães não conseguem amamentar. O bebé não engorda ou chora e toda a gente diz que é fome. A culpa, dizem os outros, é do leite. E se a culpa é do leite, então a culpa é da mãe.

Muitos bebés choram todo o dia. Muitos pais demoram a ter tempo e silêncio para as canções de embalar, para tudo o que sonharam enquanto o bebé era apenas um sonho. Para todos os #blessed e #familygoals.

Muitas mães respiram pela primeira vez quando voltam ao trabalho, quando o bebé entra na creche. E quando as mães respiram e relaxam há culpa. E quando não relaxam também.

Muitas mães e pais só sabem o tamanho que a angústia pode ter quando um filho fica doente. Mesmo que seja só uma gripe :)

Um grupo de amigas que não têm filhos dizia-me há dias que nós, os pais, efabulamos a maternidade. Partilhamos as coisas boas, guardamos as coisas más. É verdade. Tudo o que escrevi antes é real. Tudo isto existe, tudo isto é fado. Mas, queridas amigas, não o fazemos para o mal de ninguém. É para o bem. Juro sem valer cruzinhas atrás das costas. Os filhos são mesmo a coisa mais fantástica e encantadora que existe. São tão maravilhosos que só me pergunto como é que ninguém me tinha conseguido explicar isto antes. (Talvez tenham tentado, como eu tento agora :) E não são fantásticos apesar de tudo. São fantásticos com isto tudo. Mais os que não querem comer e os que refilam. Mais tudo o que não me consigo lembrar (e já me lembrei de muitas coisas que, felizmente, não passei por aquilo tudo).

Amigas com bebés de 2017 numa das minhas fotografias preferidas de sempre

Pensem na melhor viagem das vossas vidas. Pensem numa paisagem espantosa de deserto e dunas cheias de lagoas azuis no Brasil. Pensem numa floresta maravilhosa no meio do mar ou num templo de ouro no Japão. Quando se conta a viagem da nossa vida não se começa com aquela hora chata da escala que fizemos em Frankfurt. Com aquele bicho que nos picou sem deixar história nem marca na pele. Contamos, primeiro, as experiencias, as emoções. As surpresas. Do resto falamos depois. E acho que é importante falar. Saber ao que vamos nem que seja um bocadinho. Saber nem que seja as primeiras dificuldades já que as primeiras maravilhas, e todas as outras, são impossíveis de descrever.

Um ano maravilhoso para todos!

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Querido, a mamã mudou-te a cozinha :)

Ou como transformar uma cozinha de brincar do supermercado.

 

É verdade: Os miúdos não querem saber se a cozinha de brincar é vermelha e amarela com desenhos de saleiros ou se tem o verde da moda e tachinhos de cobre. Fiz um hack a esta cozinha com o pensamento de que estava a fazer uma coisa bonita para o Manel quando estava a fazê-lo para mim. A verdade é que assim fica muito mais bonita na minha sala :)

Vamos ao not-so-extreme-makeover. Tudo o que mudei foi com a cozinha já montada. As fotografias do antes são sempre propositadamente péssimas. Sem carinho e sem luz como esta:

 

 

Tem uma risca cor-de-rosa porque já tinha mudado um puxador quando me lembrei que podia ser giro fotografar o antes e o depois.

Problemas: os utensilios, vasos e alimentos desenhados, as cores e o plástico a mais.

O objetivo era, da forma mais simples possivel, torna-la mais bonita e mais baby friendly (usar, por exemplo, mais madeira e menos plástico).

 

Usei um frasquinho de tinta verde (que comprei por 5 euros no AKI há anos e já serviu para pintar mil coisas) para cobrir o fundo e pintar as prateleiras. Certifiquem-se de que é uma tinta que agarra bem superficies de contraplacado. Tapei as esquinas com fita cola para tentar pintar bem mas falhei muito e tive de retocar tudo depois.

 

A segunda alteração foi a substituição dos puxadores de plástico por estes de madeira. Os 4 custaram 10 euros no Aki e foram a unica coisa que comprei de propósito. Antes de comprar medi a distancia entre parafusos nos puxadores antigos para comprar com as mesmas medidas e facilitar tudo. No pintrest há mil exemplos de hacks em que põem puxadores mais pequenos e muito giros mas isso obriga a tapar os buracos que ficam. Existem por lá cozinhas que implicam mais trabalho do que construir uma verdadeira. Adoro mas não era bem isso que eu queria. O objetivo era mudar o minimo e ficar o mais diferente possível.

 

Pus aquela ripa de madeira atrás da torneira para tapar o mau acabamento da pintura. Era uma sobra que já tinha em casa de outras bricolages mas custa 3 euros no aki (a ripa era bem maior) e lá cortam à medida (fui lá cortar esta). O tachinho, a tijela de madeira e os potinhos de sal eram meus.

Tirei também os suportes de plástico dos pés (que servem para que a cozinha fique mais alta).

 

No dia de Natal oferecemos a cozinha e o Manel adorou. Pus entretanto uma luz vermelha, daquelas da bicicleta, dentro do forno e parece mesmo que estamos a esturricar qualquer coisa. Os legumes trouxe a avó, como traz os verdadeiros, e são do Ikea.

 

Pendurei ainda um cesto de lado daqueles de casa de banho do Ikea. Usei mais um bocadinho da ripa e dois camarões.

Agora vou dar o projeto por terminado porque o Manel já está a afogar uns bonecos no lava-loiça :)

 

Espero que tenham gostado!

 

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