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Parentalidade - Uma história de encantar?

Parentalidade - Uma história de encantar?

Muitas mães choram desalmadamente nos primeiros dias de vida do bebé. E no segundo. E nos outros. Choram principalmente à noite e choram a qualquer hora.

Muitas mães e pais têm medo. Um medo incontrolável que entra no peito como um murro e que demora a sair.

Muitas mães e pais não dormem. Não dormem como quem não dorme mesmo. E demora. Demora muitas vezes até voltar a dormir, demora a chegar o hábito de não dormir.

Muitas relações não superam a chegada de um filho. Não superam o sono, as tarefas, os choros. Muitas das que superam atravessam dias, semanas, meses de mágoa. Vontade e medo de fugir.

Muitas mães não conseguem amamentar. O bebé não engorda ou chora e toda a gente diz que é fome. A culpa, dizem os outros, é do leite. E se a culpa é do leite, então a culpa é da mãe.

Muitos bebés choram todo o dia. Muitos pais demoram a ter tempo e silêncio para as canções de embalar, para tudo o que sonharam enquanto o bebé era apenas um sonho. Para todos os #blessed e #familygoals.

Muitas mães respiram pela primeira vez quando voltam ao trabalho, quando o bebé entra na creche. E quando as mães respiram e relaxam há culpa. E quando não relaxam também.

Muitas mães e pais só sabem o tamanho que a angústia pode ter quando um filho fica doente. Mesmo que seja só uma gripe :)

Um grupo de amigas que não têm filhos dizia-me há dias que nós, os pais, efabulamos a maternidade. Partilhamos as coisas boas, guardamos as coisas más. É verdade. Tudo o que escrevi antes é real. Tudo isto existe, tudo isto é fado. Mas, queridas amigas, não o fazemos para o mal de ninguém. É para o bem. Juro sem valer cruzinhas atrás das costas. Os filhos são mesmo a coisa mais fantástica e encantadora que existe. São tão maravilhosos que só me pergunto como é que ninguém me tinha conseguido explicar isto antes. (Talvez tenham tentado, como eu tento agora :) E não são fantásticos apesar de tudo. São fantásticos com isto tudo. Mais os que não querem comer e os que refilam. Mais tudo o que não me consigo lembrar (e já me lembrei de muitas coisas que, felizmente, não passei por aquilo tudo).

Amigas com bebés de 2017 numa das minhas fotografias preferidas de sempre

Pensem na melhor viagem das vossas vidas. Pensem numa paisagem espantosa de deserto e dunas cheias de lagoas azuis no Brasil. Pensem numa floresta maravilhosa no meio do mar ou num templo de ouro no Japão. Quando se conta a viagem da nossa vida não se começa com aquela hora chata da escala que fizemos em Frankfurt. Com aquele bicho que nos picou sem deixar história nem marca na pele. Contamos, primeiro, as experiencias, as emoções. As surpresas. Do resto falamos depois. E acho que é importante falar. Saber ao que vamos nem que seja um bocadinho. Saber nem que seja as primeiras dificuldades já que as primeiras maravilhas, e todas as outras, são impossíveis de descrever.

Um ano maravilhoso para todos!

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